Ayres Rocha foi um dos rostos mais conhecidos da TV acreana, comandou telejornal por mais de 30 anos e morreu nesta quarta-feira (14), em decorrência de um câncer
O jornalista e apresentador Ayres Rocha morreu nesta quarta-feira (14), aos 62 anos, em Rio Branco, no Acre. Um dos nomes mais conhecidos do telejornalismo acreano, ele ganhou projeção nacional em 2019, quando representou o estado em uma edição comemorativa dos 50 anos do Jornal Nacional, da TV Globo, ao lado da jornalista baiana Jéssica Senra.
Ayres estava em tratamento contra um câncer em João Pessoa, na Paraíba, mas havia retornado à capital acreana cerca de um mês antes da morte. Segundo familiares, a decisão teve relação com o desejo de ficar perto dos parentes e da cidade onde construiu sua trajetória profissional.
“Ele veio para cá porque ama a cidade dele, porque ele queria ficar perto da gente”, contou a irmã do jornalista, Elaina Rocha, em entrevista ao g1 e à Rede Amazônica.
Em um relato emocionado, Elaina afirmou que Ayres passou os últimos dias cercado pela família e manteve o bom humor mesmo durante a internação. Na noite anterior à morte, ele ainda teria brincado com os parentes por meio de gestos. “Ele estava tão sereno ontem, tão bonito, tão feliz. […] Ele estava feliz porque estava vendo todo mundo lá, a família dele do lado dele”, lembrou.
O velório está previsto para esta quarta-feira (14), a partir das 10h, na capela da Funerária São João Batista, localizada na Avenida Antônio da Rocha Viana, em Rio Branco
Quem foi Ayres Rocha?
José Ayres de Souza Rocha nasceu e cresceu em Rio Branco. Caçula de uma família com nove filhos biológicos e duas filhas adotivas, ele passou a infância no bairro Bosque, na capital acreana.
Sua entrada no jornalismo aconteceu quase por acaso, em 1989. Na época, Ayres trabalhava como bancário durante as manhãs e procurava outra atividade para ocupar as tardes. Foi assim que surgiu uma oportunidade na então TV Acre.
Inicialmente, ele acompanhou o trabalho dos profissionais da redação até receber um convite inesperado para substituir o apresentador de um programa esportivo que havia faltado. Apesar do receio de aparecer diante das câmeras, aceitou o desafio, dando início a uma carreira que se estenderia por mais de três décadas.
Ao longo dos anos, Ayres passou por diferentes telejornais da emissora, até assumir a apresentação do Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2), que estreou em 1995. À frente do noticiário por mais de 30 anos, tornou-se uma figura familiar para gerações de telespectadores.
Apresentação no Jornal Nacional ao lado de Jéssica Senra
Um dos momentos mais marcantes da trajetória de Ayres aconteceu em 2019, quando ele participou da edição comemorativa dos 50 anos do Jornal Nacional. A iniciativa reuniu jornalistas de diferentes afiliadas da Globo para representar seus estados na bancada do principal telejornal do país.
Na ocasião, o apresentador acreano dividiu a bancada com Jéssica Senra, jornalista baiana que comandava o Bahia Meio-Dia. A participação levou o trabalho de Ayres a uma audiência nacional e representou um momento de reconhecimento de sua trajetória na televisão.
Durante décadas, o jornalista acompanhou acontecimentos importantes do Acre e levou diariamente informações sobre o estado aos telespectadores. Sua presença no JAC2, de segunda-feira a sábado, ajudou a consolidar seu nome como uma das principais referências da comunicação local.
Governo do Acre lamenta morte
A governadora do Acre, Mailza Assis, divulgou uma nota de pesar pela morte do apresentador. Na manifestação, destacou a contribuição de Ayres para o jornalismo e o vínculo que ele construiu com o público ao longo da carreira.
“Sua trajetória é parte da história da comunicação acreana. Com profissionalismo, dedicação e respeito ao público, conquistou a admiração de gerações e se tornou uma das figuras mais conhecidas e queridas da nossa televisão”, diz um trecho da nota.
A governadora também manifestou solidariedade à esposa do jornalista, Waldenira, aos filhos Marcelo, Álvaro Neto e Luiza, aos netos Maria Eliza, Miguel, Isaque, Heloise e Apolo, além dos demais familiares, amigos e colegas de profissão.


















