Após estragos das chuvas, São João milionário de Jequié fica em xeque

Atualmente, município baiano encontra em situação de emergência

O município de Jequié, no sudoeste da Bahia, enfrenta um paradoxo. Enquanto a prefeitura já anunciou estrelas como Simone Mendes e João Gomes para o São João 2026, artistas que ostentam um dos cachês mais elevados do país, a cidade tenta se reerguer após um volume histórico de 317 mm de chuva registrado entre fevereiro e o início de março.

Diante da gravidade, o prefeito Zé Cocá (PP) assinou um decreto municipal de situação de emergência.

A medida, publicada no Diário Oficial, reconhece que os danos causados pelo elevado volume de chuva superaram a capacidade de resposta imediata da gestão, abrindo caminho para o auxílio estadual e federal.

Rastro da destruição
Os impactos da chuva atingiram diretamente a população e a infraestrutura urbana. Há registros de danos estruturais severos em residências, perda de bens por parte de famílias vulneráveis, além do comprometimento de vias públicas e estradas vicinais essenciais para o escoamento agrícola.

Também foram identificados pontos críticos de transbordamento de canais e áreas com risco elevado de deslizamento, devido à saturação extrema do solo.

Prioridade dos recursos vira alvo de questionamento

Nesse contexto, a manutenção de uma grade de atrações com artistas caros levanta questionamentos sobre a prioridade dos gastos públicos.

Isso porque cada recurso destinado aos grandes escritórios de entretenimento é um valor que deixa de ser aplicado na contenção de encostas ou na pavimentação de ruas destruídas.

Na mira no MP-BA

Jequié entrou no radar do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Para o São João 2026, o órgão já estabeleceu regras claras por meio de uma Nota Técnica assinada no início de março.

Funciona assim:

Municípios em situação de emergência, seja por chuva ou seca, podem realizar a festa, desde que cumpram critérios específicos:

  • Proibição de desvio de finalidade: é proibido usar recursos federais ou estaduais enviados para o combate à emergência, como socorro às vítimas e obras de drenagem, para pagar cachês de artistas.
  • Saúde financeira: a prefeitura precisa provar que o pagamento da festa não vai comprometer serviços essenciais, como saúde, educação e o pagamento de salários.
  • Estudo de impacto: o município deve apresentar um estudo técnico detalhado mostrando que a festa trará retorno econômico, como turismo e fortalecimento do comércio local, que justifique o gasto.

Além disso, para este ano, o MP-BA fixou um teto de R$ 700 mil como teto sugerido para contratações individuais, buscando evitar gastos exorbitantes em cidades que enfrentam dificuldades financeiras.

Quantos Jequié gastou no São João de 2025?

Em 2025, o município de Jequié gastou mais de R$ 10 milhões para realizar os festejos juninos. Desse total, R$ 8,705 milhões são de recursos próprios do município e R$ 1,5 milhão é oriundo do governo federal.

O Portal A TARDE questionou o município sobre as ações e possíveis impactos para a realização da festa e aguarda retorno.

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